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Joseph Stiglitz é o vencedor do Estoril Global Issues Distinguished Book Prize 2017

 

De dois em dois anos, as Conferências do Estoril distinguem um trabalho escrito que contribua com novas análises e pensamentos originais sobre os problemas inerentes à globalização, ajudando o mundo a melhor entender os seus riscos mais relevantes e problemas de ação coletiva.

Na edição de 2017, o júri, composto por representantes dos vários parceiros académicos das Conferências do Estoril, escolheu o livro ‘O Euro e a sua ameaça ao Futuro da Europa’ da autoria do Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz.

O autor irá, por isso, estar presente na próxima edição das Conferências do Estoril, na cerimónia de atribuição do prémio, para uma intervenção sobre o livro e sobre o tema principal das Conferências do Estoril.

 

 

Os finalistas ao Estoril Global Issues Distinguished Book Prize deste ano foram:

 

CAST AWAY, Charlotte McDonald-Gibson

“Charlotte McDonald-Gibson passou anos a reportar sobre todos os aspetos da crise de refugiados Europeia e Cast Away oferece um vislumbre vívido dos dilemas, pressões, escolhas e esperanças pessoais que se encontram para lá das manchetes. Aqui, conhecemos cinco pessoas forçadas a abandonar a sua terra, incluindo Nart, uma advogada Síria que se torna numa ativista clandestina contra o regime de Assad até que o risco de prisão e tortura se torna demasiado grande. Sina é uma grávida recém-casada quando se encontra a atravessar, sozinha, três continentes de modo a escapar à ditadura Eritreia. E Hanan vê com horror o mundo seguro que construiu para os seus quatro filhos, em Damasco, colapsar e se vê obrigada a confiar as suas vidas a traficantes humanos.

Enquanto os políticos discutem responsabilidades e os media falam em estatísticas, Cast Away dá voz às consequências humanas do tema mais urgente dos nossos tempos.” (336 pás.)

 

OS FRACOS SÃO OS QUE SOFREM MAIS?, Yanis Varoufakis

“Nesta narrativa dramática sobre o crescimento económico e queda espetacular da Europa, Yannis Varoufakis mostra que as origens do recente colapso vão bem para além do que os nossos líderes estão preparados para admitir – e que nós fizemos nada, até agora, para as corrigir.

Percorrendo o tempo que decorre entre o pós-Segunda Grande Guerra e os dias de hoje, Varoufakis conta-nos de que forma a zona euro emergiu, não como um caminho para uma prosperidade partilhada, mas como um esquema piramidal de dívida com países como a Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha na sua base. Apoiada no setor bancário, a sua lamentável arquitetura garantiu que o seu colapso fosse simultaneamente inevitável e catastrófico.

Mas desde que o furacão atingiu a Europa, os líderes Europeus escolheram um cocktail de mais dívida e austeridade pesada em vez da reforma, garantindo que os cidadãos mais fracos das nações mais fracas pagassem pelos erros dos banqueiros, enquanto se recusavam a prevenir a próxima implosão. Em vez disso, o princípio da maior austeridade para aqueles que sofriam as maiores recessões levou ao ressurgimento do extremismo racista.

Mais uma vez, a Europa é uma séria ameaça à estabilidade global.

Recorrendo à sua própria experiência pessoal nas negociações que liderou em nome da Grécia com os especialistas financeiro da zona euro e propondo políticas alternativas e concretas, Varoufakis mostra-nos de que forma engendrámos esta confusão e como podemos sair dela. Os fracos são os que sofrem mais? relembra-nos a nossa própria história de modo a salvar o capitalismo Europeu de si próprio.” (318 pág.)

 

O EURO, Joseph Stiglitz

“Em 2010, a crise financeira global de 2008 transformou-se na ‘crise do euro’. Não desapareceu. Os 19 países da zona Euro foram abalados pela estagnação económica e crises de dívida. Alguns deles têm estado em depressão há anos enquanto os poderes governamentais da zona Euro foram de emergência em emergência, nomeadamente na Grécia. Elogiada pelos seus arquitetos como uma alavanca que traria união à Europa e promoveria a prosperidade, a moeda comum fez, na verdade, o oposto.

Em O Euro, o economista, vencedor do prémio Nobel e autor de bestsellers Joseph E. Stiglitz desmonta o consenso acerca do que aflige a Europa, destruindo os campeões da austeridade e oferecendo uma série de planos que podem salvar o continente de uma maior devastação. Como Stiglitz argumenta, persuasivamente, a estagnação e as perspetivas sombrias da e sobre a Europa são um resultado direto do nascimento defeituoso do euro e, desde então, a integração económica ultrapassou a integração política, fazendo piorar a situação. Stiglitz mostra como a estrutura atual ativamente promove a divergência e não a convergência. Torna claro o mandado ‘apenas-inflação’, desacertado, do Banco Central Europeu e explica como as políticas da zona Euro, especialmente dirigidas aos países em crise expuseram, ainda mais, os defeitos do projeto.

A questão, então, é: pode o euro ser salvo? Stiglitz descreve três caminhos possíveis: Reformas fundamentais na estrutura da zona Euro e nas políticas impostas aos países membros; um fim bem gerido da experiência da moeda única ‘euro’; ou um corajoso novo sistema intitulado ‘euro flexível’.

Qualquer um destes caminhos necessitaria de uma cooperação e vontade política bem maior do que aquelas que os líderes da zona Euro encontraram até agora; mas a alternativa seria uma dissolução desordenada e uma crise política ainda pior do que aquela que o continente sofreu até agora.

Este importante livro, escrito por um dos maiores economistas do mundo, aborda a crise do euro numa escala intelectual maior do que algum dos seus predecessores.” (454 pág.)

 

AGAINST THE DOUBLE BALCKMAIL, Slavoj Žižek

Hoje, centenas de milhares de pessoas, desesperadas para escapar à guerra, violência e pobreza, estão a atravessar o Mediterrâneo em busca de refúgio na Europa. A nossa resposta, argumenta Žižek, oferece duas versões de chantagem ideológica: ou abrimos as nossas portas o mais possível; ou tentamos fechar a ponte. Ambas as soluções, segundo Žižek, são más. Limitam-se a prolongar o problema, em vez de o enfrentar.

A crise dos refugiados também apresenta uma oportunidade, uma hipótese única para que a Europa se redefina: mas, se assim o fizermos, teremos de começar a fazer perguntas difíceis e desagradáveis. Temos, também, de admitir que as migrações em larga escala são o nosso futuro. Só assim nos poderemos empenhar num processo, cuidadosamente preparado, de mudança. Um processo fundado não numa comunidade que vê o excluído como uma ameaça mas antes um processo que tem, como base, a substância partilhada do nosso ser social.

A única maneira, por outras palavras, de ir ao centro da questão de um dos maiores assuntos hoje na Europa é a de insistir na solidariedade global para com os explorados e oprimidos. Talvez essa solidariedade seja uma utopia. Mas, avisa Žižek, se não tentarmos sequer, então estamos mesmo perdidos. E merecemo-lo. (117 pág.)

 

CONFRONTING POLITICAL ISLAM: SIX LESSONS FROM THE WEST'S PAST, John M. Owen IV

O Islão político é muitas vezes comparado com movimentos ideológicos do passado como o fascismo ou a teocracia cristã. Mas serão essas analogias válidas? Como deve o mundo Ocidental de hoje responder aos desafios do Islão político? Através de uma abordagem original à pergunta, Confronting Political Islam compara a luta do islamismo conta o secularismo a outros encontros ideológicos prolongados na história ocidental. Examinando os conflitos do passado que destruíram a Europa e as Americas – e como foram apoiados por redes clandestinas, fomentando radicalismos e revoluções, e impulsionando intervenções estrangeiras e conflitos internacionais – John Owen apresenta seis grandes lições que demonstram que muito daquilo que pensamos acerca do Islão político está errado.

Owen foca-se nas origens e dinâmicas das batalhas do século XX entre Comunismo, Fascismo e democracia liberal; nas disputas entre monarquia e república dos finais do século XVIII e século XIX; e nas guerras religiosas dos séculos XVI e XVII entre Católicos, Luteranos, Calvinistas e outras. Owen aplica depois os princípios dos sucessos e erros dos governos durante estes conflitos aos debates contemporâneos que envolvem o Médio Oriente. Conclui que guerras ideológicas duram mais do que a maioria das pessoas presume; as ideologias não monolíticas; intervenções estrangeiras são a norma; um Estado pode ser racional e ideológico; uma ideologia vence quando Estados que a exemplificam superam outros Estados numa série de medidas; e a ideologia que vence pode ser uma surpresa.

Olhando para a história do mundo Ocidental e as grandes questões acerca de como devem as sociedades ordenar-se, Confronting Political Islam surpreende o conhecimento convencional acerca das atuais agitações do mundo Muçulmano. (216 pág.)

 

Consulte o regulamento aqui.

Os vencedores das edições anteriores foram:
2015 – Political Order and Political Decay: From the Industrial Revolution to the Globalization of Democracy por Francis Fukuyama
2013 - Civilization - The West and the Rest por Niall Ferguson
2011 - The Idea of Human Rights por Charles Beitz
2009 - Creating a World without Poverty por Muhammad Yunus e The Bottom Billion por Paul Collier (ex-aqueo)

LeYa é o patrocinador oficial do Estoril Global Issues Distinguished Book Prize.